Tinhamos o costume de dar, uma para outra, o que chamavamos de estimulo, que era uma foto, imagem, musica, enfim algo para que a outra pudesse escrever sobre, e esse foi meu primeiro conto...
Crônicas de uma separação alaranjada.
Estava
frio.
Cheguei
em casa decidido, acabou.
Ela
me aparece completamente sensual, como nunca esteve. Ela nunca
esteve!
Fiquei estarrecido,
foram 12 anos pra descobri-la assim. Olhei aquela mulher que já não
olhava mais. Ela não era sensual.
Me
casei cedo, era um jovem que deveria viver, e ela, ah... nem se fala,
fui o único homem dela.
Tentei
falar, juro, tentei, mas quando comecei fui arrebatado por um par de
pernas e braços entrelaçados em mim. Porque ela nunca tinha feito
isso antes? Parecia que já sabia de minha decisão.
Bom,
quando acabou, fui fumar meu cigarro, o derradeiro cigarro na varanda
de minha casa, completamente satisfeito, o cheiro da manhã era
docemente sem poluição, como se eu tivesse voltado para o tempo
onde os carros e as motos, os caminhões, esses nem se fala, todos,
não existiam ali, naquele momento era eu com eu mesmo. Que sensação
boa! Liberdade. Voltei a ser eu! O céu era de uma belez... mas uma
beleza indescritível! Uma mistura de rosa com um alaranjado!
Putz
já eram cinco da manhã, o sol poderia ficar parado por mais...
umas... duas horas. Seria um dia lindo.
Ela
dormia.
Fui
até a mesa de cabeceira, ela não tinha culpa! Coloquei minha
aliança encima de uma papel escrito: “Era assim que sempre deveria
ser, agora é tarde! Desculpa talvez eu criei isso” Senti que o que
eu tive naquela noite nunca mais teria de novo! Ela não era aquilo.
Será que a deixei ser? Será que na verdade eu não permiti que ela
fosse diferente? Bom não adianta mais, abri a porta, coloquei a
chave, como combinávamos, no pretinho que fica debaixo do vazo de
plantas e sai.
Nunca mais vi uma manhã
daquelas!
